Ficou tua marca no asfalto e em cada grão de areia quente.
Ficou tua marca na espuma das ondas,
Na espuma dos sucos,
Na espuma da esponja que insiste em cair.
Ficou você em meus cabelos, meus olhos,
em cada cílio meu ficou você.
Ficou você em minha boca, testa, orelhas - e ressoa -,
ficou você em meu nariz e queixo saudosos.
Ficou tua marca em minhas lágrimas.
Na minha estante, em minhas gavetas, em minha caixa de
memórias...
Ficou.
Em cada movimento meu ficou você.
Mas você não fica.
Então me esvaio, num rio caudaloso das águas que me sobraram,
- e a ti pertencem -,
Eu, parte esvaída, moribunda, faltosa,
Eu, parte abundante de todos os sonhos, de toda a ternura sua que me encheu
E me enche e me transborda ininterrupta.
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