quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O voo inter(rompido)

Volta o misterioso inseto ao aparador.
As asas chagadas recuperam-se lentamente.
Cai sobre ele um véu de verdade e aprendizado
Já não mais paira sob a luz pungente.
Vive agora a pousar em árvores baixas e
desconhecidas
Vive agora.
mas
antes preso em escuridão e cegueira profundas
cai de quando em quando.
ABRE AS GRANDES ASAS NEGRAS
Toma ares vampirescos
recolhe-se.
as asas são estranhas
mal sabe acomodá-las.
[De certo saberá um dia.]
E hoje clama por
Perdão.

sábado, 17 de agosto de 2013

Soco

O vaso em cima da mesa envolve flores e memórias e toda a poeira que o tempo juntou.

A toalha em cima da mesa
Hoje puída,
Ontem dava lugar às pequenas mãos ansiosas pela refeição.

As mãos
Antes sobrepostas e pelo carinho entrelaçadas
Hoje
Fechadas de ódio
- os olhos estão injetados -
E em um só gesto...
o vaso,
as flores,
As Memórias
Tudo se esvai.

Cai o corpo consumido sob a toalha consumida.
O vinho é servido aos convidados
Jantam as bestas sob o pó de todos os tempos.



terça-feira, 13 de agosto de 2013