terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Rascunho - Parte III

Variações de humor. Pra quê tanta intensidade?
Essa constante vontade de nada. E de tudo.
Certa hora amo, outra odeio.
Que faço, pergunto. Fica aérea a questão.
Quero ter tudo em minhas mãos. E, quando tenho, jogo aos ares: já não me interessam mais. O genuíno desejo da superfície.

domingo, 29 de janeiro de 2012


Rascunho - Parte II

A poesia imita a vida ou a vida imita a poesia?
A vida é poesia, macabra ou amiga.

A vida é poesia macabra.

-

Tantos anos eu vejo no passado
Que ainda são tão presentes
E quantas vezes ainda vão se repetir - eu não sei
Só me indago e nas lágrimas afundo.

Ando certa de que o destino existe,
E o meu nunca antes foi tão claro:
Sou o novo Fabiano.
Você é um bicho, Natalie
E sempre esteve na fila do abate
À espera do açoite - tão presente
À espera de uma mudança - que nunca aconteceu verdadeiramente.

-

Me pergunto sobre a minha alma
E noto só vazio no lugar dela
Só restou um corpo miserável pronto para o golpe final na carcaça.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Rascunho - Parte I

Gostaria que não fosse, nem tampouco ficasse. Bom seria se tudo fosse deixado para trás e ficasse só aquilo que tem de ficar. Mas que espero, hoje? Vou, fico? Deixo estar. Não faço nem passo. Nem canto nem grito. Aguardo. E uma nova página - um dia, quem sabe - será preenchida. E rabiscos desconexos e cores em um só tom hão de ficar.
Werther, mais do que ninguém, me entende.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A última gota

O mundo é mundo
desde o mudo,
do curdo,
do absurdo.

O caos é um saco infinito
De armas santificadas
De homens sacrificados
De doenças expectoradas.

E eu, um pedaço de sombra e descaso,
De alma todos os dias açoitada por um carrasco - que só eu bem conheço
Só tenho a chorar e gritar e escrever
E suplicar por amor
E esperar a execução.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Surge eu

A vida é um processo longo e contínuo. Majestoso. É um evento, de tantas parcerias e convidados, de tantos comes e bebes (no lato sensu) e de poder - este que passa, tal como uma coroa. Tudo passa. Tudo cura. Tudo renasce, vive, morre, canta, esperneia. A vida é um amor adolescente, de idas e vindas, de paixões intensas e total indiferença, de gritos e emoções, de longas despedidas ao telefone e beijos nas sacadas.

No começo, não faz sentido. Nem deve. É só explosão.


Passa o tempo, passam as pessoas, passam as brincadeiras, passam os primeiros-amores (são tantos), passa a alegria de ver a lama empoçada e fazer dela momento de alegria. A verdadeira vida, crua e vivaz, passa.
SURGE EU.
Surgem outras vidas, complementares ou não. Surgem novas sacadas para novos problemas - e ah, estes, estes sim surgem com frequência. Somos grandes problemas procurando outros ainda maiores.

Surge o trânsito-amor-estresse-estareiaílogologo. Surge sempre, indo contra o nosso instinto reclamão.
E vai a vida, com seus propósitos despropositais. Muda. Emudece. Agradece a mudança, prossegue, ama de novo.

E cai.