sábado, 25 de fevereiro de 2012

À lua e ao mar

Criamos castelos adornados e transformamos mortais em reis
Desvanecemos em sonhos dourados, pensamentos roubados e numa vida de leis
E tudo é de tão plena beleza e comodismo que sentamos no campo e nos deixamos rodar.

E os castelos são de areia,
Os reis, de latão.
Os sonhos, pensamentos, leis - mentiras das mais lavadas
E tudo o que há, falsa beleza e comodismo naturalmente humano.

E só uma ideia roda: construímos mentiras sobre mentiras
E de areia fazemos castelo falso que se esvai em mar.

Tamanha verdade é o mar
Que de promessas escuras faz imenso azul espumante
Que em parceria com o tempo, constrói cenários
Que beija a lua em noites de verão.

Devemos ser mais mar e pouco latão.
Devemos ser mais lua e mar, juntos, em plena comunhão.


Don't Speak - No Doubt


"And if it's real
Well, I don't want to know."

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Platônica

Eu imersa em livros e histórias, porque as minhas são entediantemente reais. Eu imersa em vidas de planos irreais, porque a minha é suficientemente chata e comum. Eu, pouco imersa em mim, tão dilacerada em alma e cicatrizes, tão desinteressante. Ah, como amo os livros. Como amo os poetas, como fingem bem, como finjo bem. Como amo a vida que não tenho, as aventuras que não vivi e os amores que jamais viverei. Sou mesmo platônica. Sou mesmo apaixonada por tudo aquilo que nunca poderei ter, e isso muito mais me acalenta o espírito do que o possuir.
Arrependimentos e mais arrependimentos. No popular, pra que mexer em time que tá ganhando?

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Somente

Nem sempre a desistência é sinal de abandono,
Nem todo abandono pode ser concretizado,
Nem toda chama apaga ao todo,
Nem todo amor some e morre mesmo sem ter sido amado.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Hibridismo

As vezes percebo: cresci. Tudo se encaminhou e... Cresci! Noutras vezes, percebo: sou criança! Nada além de criança! Como sou híbrida, mutante, inconstante...Humana! E como é duro entender o que passa.
Meu lado maduro se manifesta da pior forma, coberto de inseguranças, timidez e escuridão. Por outro lado, também demonstro maior compreensão às manifestações da vida e necessidade de preenchimento intelectual, moral, emocional. Tenho também um orgulho irritantemente adulto em mim. E certa indiferença que bate, sem avisar. E muitos mais outros lados, que custo a interpretar a forma como se dão.
Depois, vem o lado infantil. Trato do amor com timidez: tudo parece tão novo e, as vezes, engraçado! Não tenho aquela malandragem adulta, nem sensualidade típica de minha idade. Sou boba, na maior parte das vezes. Não me desfaço em máscaras para atrair pessoas. Sou aquilo que me convém - faço aquilo que me convém. Tão despretensiosa com a vida! Tão despretensiosa com tudo! Sinto-me formiga diante do mundo. Sinto-me perdida diante de tamanho absurdo.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Primavera minha

Não desejo espaço nem notas de desculpas
Muito menos bons olhos olhando pelos meus
Lamúrias, então, quero distância.

Quero florescer dentro de mim
Quero desgostar do desgosto.

Quero só amor, cartas de alegria, frevo na madrugada
Quero ver mar calmo e areia límpida
Quero infinito em meu eu,
quero nascer ao sol e viver em primavera.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Coisas do coração

Tenho aquele desejo de abraço, de cuidado, de brincar. Tenho sorrisos guardados no peito, prontos para voar. Tenho histórias a serem contadas, poesias a serem recitadas e amores a pular. Tenho ouvidos dispostos, músicas pré-programadas e meu amor a mostrar. Tenho paciência. Peço clemência. E cartas de sentimento e lágrimas de minha alma quero resgatar.

Texto consideravelmente antigo, também guardadinho nos rascunhos.

Egoísmo



Tão puro e perfeito o amor dos românticos,
vivê-lo é a sensação de um céu de mil maravilhas.
Quero parar no tempo e sentí-lo - por mais doloroso que o seja
quero deitar nas nuvens e contemplá-lo junto ao canto dos anjos,
quero cair em mim e voltar e cair e voltar - me perder.
Não quero lamúrias nem tristes realidades postas em meus ombros,
quero cair numa vala de flores diversas e afogar-me em essências de ternuras das mais infinitas,
quero amar do mais profundo limbo de minh'alma,
quero dar a meu pranto delícias atemporais,
fazer de meu amor carinhos de sal e calma.

Texto antigo, guardadinho nos rascunhos.

Sentir

E de minha janela observo os pássaros.
Há uma ingenuidade que carregam enquanto pulam de galho em galho
Quem são seus predadores? Existem predadores? Pois deixe que sejam.

No canto, a natureza se propaga: são genuínos, cantam por que têm de cantar
Cantam pela sobrevivência
Cantam por uma necessidade súbita de serem pássaros
São seres, por toda a palavra.

E há amor profundo pela árvore. Por esta, especialmente, que os acolhe e dá espaço à vida,
mas também por todas as outras árvores que vida os daria.
E brincam, bebericam a água da chuva, fazem ninhos
São parceiros, são bando, são silêncio cantado em novilho.

Vivem por aquilo que amam ou amam por aquilo que vivem?
Vivem. Na absoluta beleza do sentir e do ser. No ignorar natural da complexidade.

São só pássaros, enfim.
Sou tão pouco pássaro. Sou tampouco pássaro.
Sou só.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A dificuldade

Desaprendi a lidar com a saudade. Depois de tanto tempo e de tantas cicatrizes profundas, tal sentimento parou de confrontar-me nas horas mais vazias. Sinto agora toda essa corrente percorrer meu corpo, e pouco sei como atender ao chamado.
Somos dois desconhecidos, procurando algum sentido no encontro. Trocamos algumas palavras, comentamos sobre trivialidades e evitamos o contato visual. As mãos estão frias, mas desejam o toque dentro do silêncio. A ponte que vai de mim a ti é fraca, apesar de suportar algumas viagens iniciais - das quais não ouso inaugurar. Quando observo, tudo parece muito claro: somente o que nos separa é aquilo que foi perdido no passado. Fui deixada por ti, e tudo agora é tão novo que sempre sou pega em sobressalto.
Quando me ensinará a dominá-la novamente, Saudade? Quando me mostrará novamente o caminho longe de terreno minado?
Quero ser sentimento e poder. Poder controlar-me a não me perder (Nele).

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Timidez

"Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...

- mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...

- palavra que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

- que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...

e um dia me acabarei."

Cecilia Meireles

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Felicidade

O desejo da felicidade é tão falso quanto aquilo que sou
É utopia, é pretensão absoluta.

Aquilo que caminha bem há de uma hora se estabacar.

E amamos tantos momentos. E desejamos tantas vidas.
E somos nada diante disso: passamos vitimados ao esboço de felicidade.

Aquilo que amamos há de uma hora deixar levar-se.

A felicidade é como sorrisos caindo com a chuva,
é como mãos ávidas se entrelaçando de amor eternamente,
uma profusão de sentimentos absolutos,
é uma lágrima escorrer de vida e voltar em orvalho, fresca, reconfortante.



Voando

Não sei o que se passa em minha mente. Na verdade, sei sim. Passa você. Passa o tempo e passa você. Passa sua voz. Passa sua expressão. Passa seu sorriso. E voa, tudo numa coisa só. E vôo junto em pensamentos caducos. Deveria passar o sentimento também, mas só anda passando seu nome. Então, só passo mal. Passo mal e bem. Tudo junto, ali, ora passando fala, ora passando espanto. Que faço para tamanha situação passar? Desejo passar? Não. Passa você e passo por cima.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Dose diária

E é tortura cruel e fria e patética
Pela qual me submeto
Há segredos que guardamos, com severa pena de aguardar - eternamente
Que matam, desgastam, acabam com o pouquinho que resta - diariamente
E não há sequer esperança
E tento me esquivar, mas não consigo.

E minha paixão se faz viva ao mesmo tempo que deixa perder.

Incógnita

E chove. Chove um pouco dentro também. Alivia um pouco a exaustão do inverno. E canto um pouco. E não sei de verdade o que se passa. E sinto as brisas do inverno. E não quero sentir, mas sinto! E sinto, com ar de decadência, com ares de pesar. Onde chegarei, pergunto-me. É uma incógnita da qual queria resposta. Da qual precisava resposta.

Aparição amorosa

"Então, convicto,
ouço teu nome, única parte de ti que não se dissolve
e continua existindo, puro som.
Aperto... o quê? a massa de ar em que te converteste
e beijo, beijo intensamente o nada.
Amado ser destruído, por que voltas
e és tão real assim tão ilusório?
Já nem distingo mais se és sombra
ou sombra sempre foste, e nossa história
invenção de livro soletrado
sob pestanas sonolentas.
Terei um dia conhecido
teu vero corpo como hoje o sei
de enlaçar o vapor como se enlaça
uma idéia platônica no espaço?"

Drummond.
"E os olhos não choram
E as mãos tecem apenas o rude trabalho
E o coração está seco."

Os Ombros Suportam O Mundo - Carlos Drummond de Andrade

E sempre deveria ter estado.

Mãos vazias

Nunca poderemos mudar um não. A afirmação negativa é a maior expressão da alma. E a alma, essa, nunca muda. Pode hesitar, mas a resposta sempre continuará sendo não.
Não há nada a ser feito: à alma, só resta descanso.
E aos ouvidos, som intermitente de voz serena.
E às mãos, vazio.

Insolubilidade

Hoje é dia de inverno.
Não ao meu redor. Mas dentro de mim, é inverno.
E por isso, vou dormir. Num sono profundo, decadente, insolúvel.
E não quero que me acordem: quero estar próxima ao óbito. Quero partilhar meu espírito com as profundezas.
Quero cair num terreno ermo e seco, quero permanecer no vago.
Um dia, quem sabe, volte. E será primavera novamente.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Execução

Se entre você e eu houver empecilho,
então meu coração será gatilho
e minhas palavras, munição.
Dilacerarei seu peito de forma gentil,
e amarei cada pedacinho que ousar revolução.
Das tuas palavras farei decreto,
da sua voz, canção
E todo o nosso diálogo será um mar aberto,
E o meu amor, imensidão.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Rascunho - Parte IV

Sofro desse sentimento ruim, e não há mais espaço para convivência entre nós. Sou eu ou ele. Não há mais coração que suporte reter tanta informação. Não há mais amor que baste. Não há mais alegrias que bastem. Sofrerei mais, sim, mas expulsarei ele de mim. Porque sofro daqueles bem-ruins-pintados-de-preto, que muito dão as caras e acabam com a gente.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Poesia corrida

O amor em laço ao lado dos córregos,
Os olhares gostosos nos ônibus de "quero chegar logo em casa",
As mãos que brincam nas calçadas,
As brincadeiras exaustas de cansaço e paixão nos vagões apressados do metrô,
Tudo é expresso e inteiro, tudo é cinza e concreto.

São Paulo é só pressa:
Pressa de amar
Pressa de chegar e encontrar uma doçura que nas ruas é inexistente,
Pressa que só o peito sente.

Hei de voltar

Nada é tão bonito e certo e inicial quanto
O fundo
As amarguras, na verdade, estão só
No fundo
E o amor é uma dádiva da vida mas só
Profundo
E os olhos são grandes e imersos
No mundo.

E a alegria só dá passo ligeiro direto
E a cabeça só dana a girar
E no peito instala chama - que ama e esvai
E canta e voa ao doce limiar.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Jogando fora

Abrimos todos os dias nossas torneiras e esvaziamos nossas caixas d'água
E num fluxo infeliz de água rolando nossa sujeira vai junto, toda despedaçada.
A água não volta. A sujeira, ao esgoto ruma. E nós, onde vamos com tamanho desperdício?
Somente ao coração cabe a resposta. E à sujeira, quem sabe.
Why the heck I have so many readers from random countries? Germany, Ukraine and United States?
Man, I don't even write my stuff in english. I'm not complaining, I'm just asking. Please send your comments!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Solícita

Sou só espaço pra verdade (mentira)
Sou só rumor na boca lasciva.

Sou só encanto neste espaço que não deixa mostrar,
Sou só calor na pele que guarda na alma o pesar.

Sou só canto
Sou manto de espanto
Sou água do mar, que flui e deixa levar,
sou só.