sábado, 26 de novembro de 2011

Nada posso esperar de meu coração

E, no meio de tanto chumbo (cruzado),
eis que vejo um fio de ouro.

Há toda uma honestidade e uma sinceridade que me afetam,
que trazem-me das minhas profundezas à superfície.
Há toda essa beleza bonita, deslumbrantemente desconhecida.
Há todo um amor, sincero e perdido, tão distante,
De mim.

Vejo, então, farpas jogadas ao chão, ásperas.
Mas elas não pertencem a você - vieram de mim.

Pois o que podia esperar? Nada.
De minha alma parda e coração enegrecido de nada podia esperar.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Mudança

O silêncio é tão insano quando a sós consigo mesmo,
Tão constrangedora a situação que nem a língua arrisca a opinar.
E a sensação é apenas de profundo ócio.

E quando as ondas chegam na praia, que linda pausa é o silêncio
Restaura e canta notas de sal...
Ama, cala, protege.

No quarto escuro, o silêncio não é o mesmo;
É um contato interior circundado de uma casca moribunda,
É a premeditação da meditação eterna
Que antecede o silêncio.

O que restou

A solidão que tanto fugi
não demorou a pegar-me: hoje está comigo.
Os restos pelos quais briguei, restaram juntos
e eu? nem restos nem brigas tenho mais
Hoje só resta o resto de mim.

Nunca temes a solidão
até ser ti a vítima.

Quando o coração aperta e a dor é grande
nada resta além de si mesmo
E tudo é consumido,
E de tanto consumir a mim mesma
Carne, ossos, alma
quem sabe eu não suma?
Seriam boas novas - finalmente.

A dor

Quando a dor é o que resta
nada resta
nem pranto, nem canto
só espanto
nem nada.

domingo, 20 de novembro de 2011

Esquiva

E as pernas, prontas para dançar
e a mente, vazia, nada tem a fazer
senão apagar-se.
E as memórias, vivas, atacam
E o meu passo é rápido: quero esquivar-me
Esquiva, eu sou.
E por hoje as pernas só queriam dançar
Falhei.