quarta-feira, 30 de maio de 2012

Troca


Olhos por todos os lados.
Globos oculares matizados das mais cores
Derrubados mecanicamente
Num doce encontro estilhaçado.

Olhos de vidro com todo movimento 
E toda a perícia de permanecerem no anonimato
Em meio à multidão, desconhecida e inquieta
Olhos voltados ao céu.

Olhos nossos desencontrados no espaço
Inoportunos em todo ensejo
Esquecidos em suas imensidões multicoloridas e ainda alvas
Preenchidos em desejos
Envoltos em cristal.

Olhos seus 
Eterno retrato dos olhos que viu, verá e vê
E que em novas cores transformará
Tela impassível, farfalhar das folhas e orvalho retido.

Olhos meus
Perdidos em profunda miopia na vala desgraçada
Esquecidos na esquecida ala do trem que leva a multidão - que rodopia
E extrai os gloriosos aparelhos de visão.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Fragmentando

Fuga desesperada.
Esperando o cair da noite
E a poeira das estrelas
Observo a luz que vem dos olhos
Fico.
Fico mas fujo.
Pois quero fuga, quero pés incansáveis
E resistência
Para que resista aos contornos
E não resisto!
Numa fusão entre contornos, bocas, olhos e cores
Me perco.
Mas fujo
E perdida fujo
De todos os nós
Torcendo para que tudo
Acabe em nós
Desfeitos.

sábado, 26 de maio de 2012

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Pretume

Noite, mãe da escuridão e dos gritos abafados,
Cobre com seu véu moribundo os olhos pretos e enormes,
Vela pelos corpos gelados que esquentam a vala.
Segura o dia, sustenta o torpor, afunda o poeta.
Aleita tua filha, tão fina e tímida:
Dela há de ter recompensa em poucos luares.
Abraça nuvens e estrelas e homens descartados.
Escarra teu ódio em água, faz dilúvio
Queima em brasa os corações para que os corpos façam brasa.

Catarata sem fim 
é a noite dos desgraçados