Olhos por todos os lados.
Globos oculares matizados das mais cores
Derrubados mecanicamente
Num doce encontro estilhaçado.
Olhos de vidro com todo movimento
E toda a perícia de permanecerem no anonimato
Em meio à multidão, desconhecida e inquieta
Olhos voltados ao céu.
Olhos nossos desencontrados no espaço
Inoportunos em todo ensejo
Esquecidos em suas imensidões multicoloridas e ainda alvas
Preenchidos em desejos
Envoltos em cristal.
Olhos seus
Eterno retrato dos olhos que viu, verá e vê
E que em novas cores transformará
Tela impassível, farfalhar das folhas e orvalho retido.
Olhos meus
Perdidos em profunda miopia na vala desgraçada
Esquecidos na esquecida ala do trem que leva a multidão - que rodopia
E extrai os gloriosos aparelhos de visão.

