segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Por quê? Por quê diabos tudo tem de ser tão complicado e sério em tudo isso?
Por quê simplesmente não deixar levar sem pensar nem compreender?
É muito pra pouco. É esperar muito, pensar muito, perder muito, sofrer muito. É nada ganhar.
Depois de tudo o que houve, por quê ainda insistir num aglomerado de ideias e ideais tão antigos? E pergunto novamente: pra que, pra que tanta complicação?
E aí dou uma volta, penso de novo, olho de novo, sofro. Penso, volto a sorrir. Agradeço e amaldiçoo a mim mesma pelos meus atos. Deveria ter sido fácil e bonito como naquilo que leio. Não foi, não pra mim. Porque complicar é comigo. Aí lembro do que disse: finalmente agradeço e despeço-me das memórias - mas só por enquanto.

Aí sinto outro cheiro, mais antigo, mais alegre e aconchegante. Lembro de meu destino (destino?). Do meu afeto pelo distante, que tanto me afetou, ainda afeta e vai afetar. E mando tudo pro espaço.

Penso nisso noutra hora.

sábado, 26 de novembro de 2011

Nada posso esperar de meu coração

E, no meio de tanto chumbo (cruzado),
eis que vejo um fio de ouro.

Há toda uma honestidade e uma sinceridade que me afetam,
que trazem-me das minhas profundezas à superfície.
Há toda essa beleza bonita, deslumbrantemente desconhecida.
Há todo um amor, sincero e perdido, tão distante,
De mim.

Vejo, então, farpas jogadas ao chão, ásperas.
Mas elas não pertencem a você - vieram de mim.

Pois o que podia esperar? Nada.
De minha alma parda e coração enegrecido de nada podia esperar.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Mudança

O silêncio é tão insano quando a sós consigo mesmo,
Tão constrangedora a situação que nem a língua arrisca a opinar.
E a sensação é apenas de profundo ócio.

E quando as ondas chegam na praia, que linda pausa é o silêncio
Restaura e canta notas de sal...
Ama, cala, protege.

No quarto escuro, o silêncio não é o mesmo;
É um contato interior circundado de uma casca moribunda,
É a premeditação da meditação eterna
Que antecede o silêncio.

O que restou

A solidão que tanto fugi
não demorou a pegar-me: hoje está comigo.
Os restos pelos quais briguei, restaram juntos
e eu? nem restos nem brigas tenho mais
Hoje só resta o resto de mim.

Nunca temes a solidão
até ser ti a vítima.

Quando o coração aperta e a dor é grande
nada resta além de si mesmo
E tudo é consumido,
E de tanto consumir a mim mesma
Carne, ossos, alma
quem sabe eu não suma?
Seriam boas novas - finalmente.

A dor

Quando a dor é o que resta
nada resta
nem pranto, nem canto
só espanto
nem nada.

domingo, 20 de novembro de 2011

Esquiva

E as pernas, prontas para dançar
e a mente, vazia, nada tem a fazer
senão apagar-se.
E as memórias, vivas, atacam
E o meu passo é rápido: quero esquivar-me
Esquiva, eu sou.
E por hoje as pernas só queriam dançar
Falhei.

domingo, 16 de outubro de 2011

Escondidos

A carne é a busca,
o sangue, que jorre..
Em nossas caras, em nosso espaço,
que jorre e umedeça essa vida seca e indiferente.

Vermelho das maçãs enrubescidas, tão precioso é o sangue,
que dá e leva a vida.
Que nutre, que encanta.
Mas, devo dizer, não é melhor que a carne:
Essa sim vale a pena.



Passamos a vida atrás dela.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Pouco sou

Sou uma imagem - muito mal feita - de mim mesmo.
Nos últimos (tempos) tenho me encontrado, perdido e vago,
e fui e voltei dando voltas infinitas;
Em meu coração,
Nada encontrei.

As vezes me pego na dúvida,
se sou uma mentira ou não.
Pois na escuridão de meu quarto sou nada além de mim,
mas nas ruas sou camaleão.

Respondo as mensagens, mando sinal de paz
Visto a bandeira branca, digo que sou capaz.
Quem sou eu?
Sou alguém tentando conciliar alma e carne.
Sou alguém?
Apenas estou.

Destino capenga

Palavras - no começo - fluem das bocas secas,
molhando e fecundando a terra.
Tão belas são elas - intermináveis e espertas:
espertíssimas, pois são!
Há quem diga que são felizes também.
(não encontraram ainda os bofes do ouvinte)

~
E a vida vai velejando pelos mares do Atlântico - junto da morte
Com seu barco simples e eficaz,
com suas velas multicoloridas e vorazes..
à espera da chegada.
-Fiquem tranquilos, marujos, tudo ocorreu nos planejado - disse o Destino capenga.
 E diz o tripulante bêbedo de maresia:
-É não é que oscorreu mesmo? A dona Palavra e o Sr. Palavrão se ajuntaro no passar da noite
(posso ouvir as canções de ninar embalando a manhã)
~

Tristes são as palavras balbuciadas indiferentemente pelas bocas desonestas,
tristes são as palavras que eram unidas e agora são
                                                      

E da junção dos semelhantes fez-se palavrinhas
Chulas e perversas - devo dizer.
E do amor inconfundível fez-se o ódio irreparável
Trêmulas pa pa pa lavras expelidas das bocas ignorantes
embebidas no licor amargo da vida.

Covarde é meu nome

Tô cansada desse papo tão fadado ao moralismo,
Tô morrendo devagar nas carícias do Calixto.
Pois vou te contar um absurdo, meu amigo: sou cisto.
Cisto tumoroso e maldito.

Não, não quero ouvir do amor, quando miseráveis morrem nas mãos dos loucos,
Muito menos de danças aprumadas e fantásticas (os sinceros são poucos).
Recomendo que cante-me as dores vitalícias,
e que com as mãos descubra todas as minhas malícias.

Só tenho um pedido:
-Dê-me anthracis!
E exclamas:
-Mas oh.. não serias capaz!
(não mesmo)

Pois te digo, sou monstro, sou figura mordaz,
com tuas tripas faço colar...
de madrepérolas.

sábado, 1 de outubro de 2011

Mas que linda menina!
Tão linda, tão fina, tão fôrma!
Lhe cai bem um casamento:
Pegue o vestido, os brincos; ou então, por que não um convento?

Aperte-lhe o espartilho!
-Avante, avante, sujeito purgante!
Menina, ande no trilho!
-Nas chamas do inferno quero que cante!

A vida combina contigo, menina, menina
Trapo bandido, que o bode te acolha
Que Deus lhe abençoe, menina, menina
Da tua vida, não tens outra escolha.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Infância eterna

Crianças, nada além de crianças - dizemos.
Grandes são as crianças, que enfrentam a vida com toda ousadia,
Que sobem na mesa, que comem na lama, que perguntam sem armadilha.
Crianças que sujam as calças sem medo, que correm no vento, que amam a brisa.
Pergunto a ti: quanto tens de criança? Dizes que é bobagem minha.

Tão pequenos, tão sábios: vivíamos um dia após o outro, bem vividos como deviam.
Faziamos planos: éramos bombeiros, professores, médicos, cantores.
Éramos maestros: regíamos com afinco nossa família.
Éramos sonhadores: a vida era uma eterna brincadeira a ser vivida.

Os anos passam, responsabilidades aumentam, vemo-nos sem saída.

Que fazer agora, tão longe do topo tão perto da descida?
Pois serei tola novamente, se me permites: basta resgatar aquela criança adoradora de palavras, números, formas, cores, sabores, desafios;
basta adorar aos outros como adora sua própria camisa.

Quando a criança morre, é triste pensar.
Quando a criança morre, a curiosidade sobre o mundo termina - assim como a beleza dele.
Quando a criança morre, o ânimo se esvai.
Por que então não sermos crianças?
Crianças com almas de adulto; crianças que amam tudo aquilo que as cercam e que fazem do choro a maior das belezas.
Crianças crescidas, mas crianças.

Retrato de minha cidade

Alma seca e indiferente
como o solo rachado do sertão;
A mente, artificial e programada
bem como o que chamam de lar - disfarçado porão.
Chamam também de cidade,
de terra de igualdade, de bar do Bolão
Chamo de espelunca, de cortiço,
de felicidade fingida
Paraíso da decepção.

Enjaulamos espécies, pensando que estamos no lucro
Que é a vida, não é mesmo, se não um CD fajuto?
De faixas riscadas e sons desconexos
Um albúm cheio de complexos
Pouco complexo.

Continuo procurando pela beleza (eles dizem)
Quem sabe eu a encontre no concreto em brasa,
nos rebolados dos paus-de-arara urbanos,
ou nos arranha-céus prateados acizentados.
Quem sabe?

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Há muita mentira e pouca poesia no mundo.

Um pouco de Drummond...

...Para saciar a sede da noite.


"Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação."

Coisa linda!

Que mundo!

Oh! Fracos homens, homens fracos
Tão belos em seus fraques
Tão sujos em seus papos
São craques, são craques.

Oh! Lindas moças, moças lindas
Tão belas em suas boas-vindas
Tão sujas em suas jóias polidas
Que sina, que sina.

Sobrevivendo

E é tão triste este triste desenrolar
De semana a semana, tão devagar
As palavras, somem
A imaginação, flui
E eu, meu!Eu tão distante
E minha presença, tão sóbria
E minha mente, tão fraca.
Contentar-me-ei somente com a poesia




será?

...

E não há nada mais triste ou belo
do que quando as palavras saem flutuando
sem rumo sem carta sem direção

Minha vida é ter essas palavras
sozinhas
esperando pelo dia...

Amor platônico

Quanto amo?
Amo mais do que deveria,
Amo menos do que qualquer um;
Amo as notas de jazz amando-me pelo passar da noite.

Amo, não pelos braços ou pelos lábios
Amo pela alma e por entre os dedos,
Que desejam tocar-te em sonhos fingidos.

Amo o vento, as águas, as aves
Que te esculpem das falanges ao espírito,
Que te adoram e dançam contigo no embalo da vida.

Amo a imaginação e a poesia - combinados em um só -,
Amo Platão.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Véu de tristeza

E hoje quero ouvir as vozes num tom uníssono e emaranhado,
E meu rosto preto, putrefato, nada deseja além de luz nessa hora calma.

Calar-me em mim
Cantar a dor
Até no horizonte o novo sol aparecer.

Sem cor

Eu ouço reclamações,
Chiados enraivecidos,
Rostos cansados e tristes,
Corações vagarosos, querendo um fim - tão cedo.

Triste é a biblioteca da vida, de estantes cheias de nada.

Triste é a manhã da juventude, que senta na biblioteca com sua alma parda.

Batidas ritmadas

E nada sinto em minha alma,
além de uma melodia intermitente:
-Leva-me, suplico eu.
Sento, fujo em meus pensamentos,
pinto de vermelho o nariz, penso:
-Ainda nem cheguei ao refrão.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

One of my favorite poems

Annabel Lee

It was many and many a year ago,
In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
By the name of Annabel Lee;
And this maiden she lived with no other thought
Than to love and be loved by me.

I was a child and she was a child,
In this kingdom by the sea:
But we loved with a love that was more than love -
I and my Annabel Lee;
With a love that the winged seraphs of heaven
Coveted her and me.

And this was the reason that, long ago,
In this kingdom by the sea,
A wind blew out of a cloud, chilling
My beautiful Annabel Lee;
So that her high-born kinsmen came
And bore her away from me,
To shut her up in a sepulchre
In this kingdom by the sea.

The angels, not half so happy in heaven,
Went envying her and me -
Yes! that was the reason (as all men know,
In this kingdom by the sea)
That the wind came out of the cloud one night,
Chilling and killing my Annabel Lee.

But our love it was stronger by far than the love
Of those who were older than we -
Of many far wiser than we -
And neither the angels in heaven above,
Nor the demons down under the sea,
Can ever dissever my soul from the soul
Of the beautiful Annabel Lee;

For the moon never beams without bringing me dreams
Of the beautiful Annabel Lee;
And the stars never rise but I feel the bright eyes
Of the beautiful Annabel Lee;
And so, all the night-tide, I lie down by the side
Of my darling -my darling- my life and my bride,
In the sepulchre there by the sea -
In her tomb by the sounding sea.
Written in 1849 by Edgar Allan Poe.

Nada, nada sou

Nada sou perto do teu sorriso,

Nada sou reto direto concreto teto à desabar.


Nada, nada sou

Além de um galho seco fugindo do vento

Fugindo do vento como fujo de ti.


Nada, nada sou

Sou nada, soul?

Nada.

sábado, 13 de agosto de 2011

A árvore da vida

O que seria da vida
Se sua única certeza fosse o infinito
O que seria do tempo
Se sua existência não mais existisse
Nada seria.

Somos filhos da terra
Primitivos e loucos
Mas sãos e sábios - poucos são os sábios
Que sabiamente passaram pela vida
Que sabiamente uniram-se à morte.

A sabedoria é fruto, que amadurece e
Cai.
Amadurece por entre os anos da vida
Por dias...E dias...Calmos, vagos...Sôfregos
Tornando-se mais tenra e doce.

A vida é nada além de tudo
O começo e o fim
A árvore de frutos - que têm de amadurecer e cair
A árvore genealógica
A árvore.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Algumas verdades

Verdades são um grande problema. Somos colocados de frente a elas desde pequenos – nos fazem separá-las entre boas ou más. Crescemos, surgem os “por quês”, com seus quês” de curiosidade, mas sem maiores julgamentos. Se cresce mais, e poucos se questionam. As coisas vão acontecendo – vejam as guerras, os problemas biológicos, os conflitos e as intolerâncias batendo em nossa porta diariamente.
Temos de olhar em voltar e perceber que nem sempre o que nos fazem acreditar é realmente certo. Os dogmas devem ser discutidos, contestados. Criar sua própria verdade irrefutável – repleta de outras verdades -, contendo o que você julga ser o certo para você, sem ultrapassar o poder de liberdade do outro.



domingo, 10 de abril de 2011

Nome indevido

Eis aqui um belo sentimento, composto por duas lindas almas repletas de afeição apenas a si próprias. Um jogo de interesses, como devia de ser!
Lhe transfiro meus problemas, e você os seus. Consolamo-nos loucamente e então o mundo fica belo como nunca antes esteve!
É tão lindo sentimento que, quando uma das almas quer respirar um pouco fora da água, ele não deixa! Aprisiona, sufoca, alucina.
E como aumenta com o contato físico, com os beijos, abraços e afagos deliciosamente quentes!
Eis o amor dos amantes.

AMOR? Jamais.
E, no fim das contas, o que é melhor: pensar ou simplesmente agir?
Na vagarosa corrida do pensar nada se faz; na agilidade do agir se faz muito e, principalmente, se arrepende. Tudo ou nada? Nada ou tudo? Tudo e nada?
Tudo e nada.

Pois é.