quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Previsão
Nesta noite sem fim são trezentas e sessenta e cinco palavras que dilaceram o peito da pior das maneiras. Nunca outrora vistas, as águas de todos os tempos descem por estes olhos. Olhos que sempre estiveram secos em sua condição humana; olhos essencialmente secos mas perturbados por outros. Olhos nunca antes perturbados. Agora estão devastados, líquidos, diluídos num corpo que almeja ser diluído. As paredes se fecham, o teto desaba. O coração flagelado suspira algumas mais vezes. Mas os olhos, estes perdem a função de diluir a beleza. Já não mais fazem sentido. Olhos da multidão voltados ao céu. A multidão de repente me encara e os céus desabam. Já não há mais multidão. Há eu, o coração entregue, os glóbulos sinistros presos em minha face e nada mais. Nem ninguém.
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