terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A última gota

O mundo é mundo
desde o mudo,
do curdo,
do absurdo.

O caos é um saco infinito
De armas santificadas
De homens sacrificados
De doenças expectoradas.

E eu, um pedaço de sombra e descaso,
De alma todos os dias açoitada por um carrasco - que só eu bem conheço
Só tenho a chorar e gritar e escrever
E suplicar por amor
E esperar a execução.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Surge eu

A vida é um processo longo e contínuo. Majestoso. É um evento, de tantas parcerias e convidados, de tantos comes e bebes (no lato sensu) e de poder - este que passa, tal como uma coroa. Tudo passa. Tudo cura. Tudo renasce, vive, morre, canta, esperneia. A vida é um amor adolescente, de idas e vindas, de paixões intensas e total indiferença, de gritos e emoções, de longas despedidas ao telefone e beijos nas sacadas.

No começo, não faz sentido. Nem deve. É só explosão.


Passa o tempo, passam as pessoas, passam as brincadeiras, passam os primeiros-amores (são tantos), passa a alegria de ver a lama empoçada e fazer dela momento de alegria. A verdadeira vida, crua e vivaz, passa.
SURGE EU.
Surgem outras vidas, complementares ou não. Surgem novas sacadas para novos problemas - e ah, estes, estes sim surgem com frequência. Somos grandes problemas procurando outros ainda maiores.

Surge o trânsito-amor-estresse-estareiaílogologo. Surge sempre, indo contra o nosso instinto reclamão.
E vai a vida, com seus propósitos despropositais. Muda. Emudece. Agradece a mudança, prossegue, ama de novo.

E cai.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Por quê? Por quê diabos tudo tem de ser tão complicado e sério em tudo isso?
Por quê simplesmente não deixar levar sem pensar nem compreender?
É muito pra pouco. É esperar muito, pensar muito, perder muito, sofrer muito. É nada ganhar.
Depois de tudo o que houve, por quê ainda insistir num aglomerado de ideias e ideais tão antigos? E pergunto novamente: pra que, pra que tanta complicação?
E aí dou uma volta, penso de novo, olho de novo, sofro. Penso, volto a sorrir. Agradeço e amaldiçoo a mim mesma pelos meus atos. Deveria ter sido fácil e bonito como naquilo que leio. Não foi, não pra mim. Porque complicar é comigo. Aí lembro do que disse: finalmente agradeço e despeço-me das memórias - mas só por enquanto.

Aí sinto outro cheiro, mais antigo, mais alegre e aconchegante. Lembro de meu destino (destino?). Do meu afeto pelo distante, que tanto me afetou, ainda afeta e vai afetar. E mando tudo pro espaço.

Penso nisso noutra hora.

sábado, 26 de novembro de 2011

Nada posso esperar de meu coração

E, no meio de tanto chumbo (cruzado),
eis que vejo um fio de ouro.

Há toda uma honestidade e uma sinceridade que me afetam,
que trazem-me das minhas profundezas à superfície.
Há toda essa beleza bonita, deslumbrantemente desconhecida.
Há todo um amor, sincero e perdido, tão distante,
De mim.

Vejo, então, farpas jogadas ao chão, ásperas.
Mas elas não pertencem a você - vieram de mim.

Pois o que podia esperar? Nada.
De minha alma parda e coração enegrecido de nada podia esperar.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Mudança

O silêncio é tão insano quando a sós consigo mesmo,
Tão constrangedora a situação que nem a língua arrisca a opinar.
E a sensação é apenas de profundo ócio.

E quando as ondas chegam na praia, que linda pausa é o silêncio
Restaura e canta notas de sal...
Ama, cala, protege.

No quarto escuro, o silêncio não é o mesmo;
É um contato interior circundado de uma casca moribunda,
É a premeditação da meditação eterna
Que antecede o silêncio.

O que restou

A solidão que tanto fugi
não demorou a pegar-me: hoje está comigo.
Os restos pelos quais briguei, restaram juntos
e eu? nem restos nem brigas tenho mais
Hoje só resta o resto de mim.

Nunca temes a solidão
até ser ti a vítima.

Quando o coração aperta e a dor é grande
nada resta além de si mesmo
E tudo é consumido,
E de tanto consumir a mim mesma
Carne, ossos, alma
quem sabe eu não suma?
Seriam boas novas - finalmente.