sábado, 18 de fevereiro de 2012

Sentir

E de minha janela observo os pássaros.
Há uma ingenuidade que carregam enquanto pulam de galho em galho
Quem são seus predadores? Existem predadores? Pois deixe que sejam.

No canto, a natureza se propaga: são genuínos, cantam por que têm de cantar
Cantam pela sobrevivência
Cantam por uma necessidade súbita de serem pássaros
São seres, por toda a palavra.

E há amor profundo pela árvore. Por esta, especialmente, que os acolhe e dá espaço à vida,
mas também por todas as outras árvores que vida os daria.
E brincam, bebericam a água da chuva, fazem ninhos
São parceiros, são bando, são silêncio cantado em novilho.

Vivem por aquilo que amam ou amam por aquilo que vivem?
Vivem. Na absoluta beleza do sentir e do ser. No ignorar natural da complexidade.

São só pássaros, enfim.
Sou tão pouco pássaro. Sou tampouco pássaro.
Sou só.

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