Grandes são as crianças, que enfrentam a vida com toda ousadia,
Que sobem na mesa, que comem na lama, que perguntam sem armadilha.
Crianças que sujam as calças sem medo, que correm no vento, que amam a brisa.
Pergunto a ti: quanto tens de criança? Dizes que é bobagem minha.
Tão pequenos, tão sábios: vivíamos um dia após o outro, bem vividos como deviam.
Faziamos planos: éramos bombeiros, professores, médicos, cantores.
Éramos maestros: regíamos com afinco nossa família.
Éramos sonhadores: a vida era uma eterna brincadeira a ser vivida.
Os anos passam, responsabilidades aumentam, vemo-nos sem saída.
Que fazer agora, tão longe do topo tão perto da descida?
Pois serei tola novamente, se me permites: basta resgatar aquela criança adoradora de palavras, números, formas, cores, sabores, desafios;
basta adorar aos outros como adora sua própria camisa.
Quando a criança morre, é triste pensar.
Quando a criança morre, a curiosidade sobre o mundo termina - assim como a beleza dele.
Quando a criança morre, o ânimo se esvai.
Por que então não sermos crianças?
Crianças com almas de adulto; crianças que amam tudo aquilo que as cercam e que fazem do choro a maior das belezas.
Crianças crescidas, mas crianças.
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