Cobre com seu véu moribundo os olhos pretos e enormes,
Vela pelos corpos gelados que esquentam a vala.
Segura o dia, sustenta o torpor, afunda o poeta.
Aleita tua filha, tão fina e tímida:
Dela há de ter recompensa em poucos luares.
Abraça nuvens e estrelas e homens descartados.
Escarra teu ódio em água, faz dilúvio
Queima em brasa os corações para que os corpos façam brasa.
Catarata sem fim
é a noite dos desgraçados
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